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Em
1810, a nota publicada no jornal L’Empire, de Paris, pelo erudito Boissonade,
trouxe para a ribalta o nome, até aí desconhecido; de Mariana Alcoforado como
a autora das já muito célebres Lettres
Portugaises,
cinco cartas de amor dedicadas ao cavaleiro francês Noël Bouton,
Marquês de
Chamilly.
Mariana
Alcoforado foi uma das religiosas da Ordem de Santa Clara, do Convento da Conceição de
Beja, local onde actualmente funciona o Museu Regional da cidade.
Natural de Beja, nasceu a 22 de Abril de 1640, entrou na clausura com 11
anos, vindo a professar aos 16. Porteira,
Escrivã e Vigária, foram alguns dos cargos que exerceu durante a sua longa
vida conventual. Faleceu em 28 de
Julho de 1723.
As
cartas de amor são a sua paixão sublime não correspondida, que perdura no
tempo e tem despertado o interesse de todo o mundo.
Desde a edição princeps de Claude Barbin, datada de 4 de Janeiro de
1669, com o título de “Lettres Portugaises Traduites en François”, até
hoje, sucederam-se centenas de edições em diferentes idiomas, poemas, peças
de teatro, filmes, obras de interpretação plástica e musical.
O
Museu conserva ainda a grande janela gradeada, mais conhecida como a Janela
de Mértola,
das Portas de Mértola ou de Mariana, verdadeiro ex-libris do convento, do museu
e da cidade, através da qual a religiosa viu tantas vezes passar aquele que a
encantava e que num dia especial a destacou com o seu olhar e lhe fez sentir os
primeiros efeitos da sua infeliz paixão.
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